Inclusão digital: Com celular na mão, aposentado aprende em oficina como deixar “like” em vídeo

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  • Paula Maciulevicius de Oliveira Brasil
  • 23/outubro/2026 12:07 pm
  • Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul

Na mesa, uma cartilha com o bê-á-bá digital. Na conversa, um dos alunos revela que sua maior vontade é aprender a dar “like” nos vídeos que assiste pelo celular. Aos 83 anos, o aposentado Santo Lourenço Dias foi um dos participantes da Oficina Inclusão Digital 60+, promovida pela SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), em parceria com o Sesi.

A primeira edição, realizada nesta semana, levou orientações sobre o mundo digital aos moradores idosos do bairro Vila Popular, em Campo Grande. Seu Santo chegou ao ônibus do Sesi, adaptado como sala de aula, sem o celular. Voltou para casa correndo para buscar o aparelho e, assim, pode acompanhar na prática, com o telefone em mãos, cada orientação apresentada durante a oficina.

Aposentado, Santo Lourenço chegou ao curso para aprender a deixar "like" (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

“Eu uso mais para receber telefonemas, assistir ao YouTube, escutar um hino e fazer ligações. Mas, falar que eu sei usar, eu não sei, não. Tenho que aprender essas coisas de ‘dar like’, como dizem nos vídeos”, conta.

Com 18 vagas, o ônibus adaptado conta com notebooks, cadeiras e material didático. Uma das primeiras lições começa pela configuração do próprio celular, especialmente pelo ajuste do tamanho da fonte, para facilitar a leitura e o acompanhamento das atividades.

“Se eles já não enxergam bem, não vão conseguir reter todas as informações que serão passadas”, explica a instrutora da oficina, Deize Staub.

De forma lúdica, Deize apresenta um passo a passo para que os alunos percam o medo de mexer no aparelho e ganhem confiança para utilizar suas funções. O aprendizado começa pelas configurações básicas e avança gradualmente para as redes sociais e outros recursos.

Instrutora da oficina, Deize explica funcionalidades de forma lúdica (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

“Muitos deles acham que vão estragar o celular ou apagar algo importante. Por isso, começamos pelas configurações do telefone e, depois, avançamos para as redes sociais. É preciso ter paciência. Eles viveram em uma época em que a telefonia era com fio, então aprender a usar o celular dessa forma já é um avanço. Nosso objetivo é que consigam aproveitar as funcionalidades do aparelho”, completa.

Ao se aproximar dos alunos e demonstrar cada recurso diretamente nos aparelhos, a instrutora compartilha experiências e esclarece dúvidas. Conforme a turma avança, também entram em pauta os cuidados necessários para navegar com segurança, como: evitar links suspeitos e desconfiar de pedidos de transferência de dinheiro, mesmo quando parecem vir de pessoas conhecidas.

“O objetivo é incluir digitalmente as pessoas com 60 anos ou mais, para que tenham autonomia para realizar suas atividades e, ao mesmo tempo, estejam mais protegidas contra golpes”, reforça Deize.

Maria de Solidade quer mexer em aplicativos sem precisar pedir aos filhos ou netos (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

É justamente para aprender a usar o celular sem depender da ajuda de outras pessoas que a aposentada Maria da Solidade Silva, de 70 anos, procurou a oficina.

“Quero dar conta de entrar nos aplicativos, fazer meus Pix, acessar as redes sociais sem ter que pedir ajuda aos netos e aos filhos. O que já aprendi aqui foi ótimo. Tem coisas que eu não sabia como acessar e agora vi que não preciso ter medo”, conta.

Inclusão digital como cidadania

A Oficina Inclusão Digital 60+ é uma iniciativa da SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, em parceria com o Projeto 60+ do Sesi e com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social de Campo Grande, que auxilia na organização do cronograma das atividades. A proposta é ampliar o acesso à educação e ao letramento digital entre as pessoas idosas. Inicialmente na Capital, com a intenção de alcançar as sete regiões urbanas do município e, posteriormente, outros municípios de Mato Grosso do Sul.

Ao final da Oficina de Inclusão Digital 60+, idosos recebem certificado. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

Subsecretária de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, Larissa Paraguassu, destaca que a inclusão digital precisa ir além do acesso à tecnologia. 

“Hoje, cada vez mais pessoas idosas têm acesso à internet e ao celular, mas precisamos garantir que elas também saibam utilizar essas ferramentas com segurança. A inclusão digital é uma questão de cidadania, porque permite que realizem suas atividades com mais autonomia, participem da vida social e não dependam de outras pessoas para tarefas do dia a dia. Ao mesmo tempo, esse aprendizado é fundamental para prevenir golpes financeiros e outras formas de violência patrimonial e digital que atingem essa população”, afirma.

Para Larissa, a iniciativa também está alinhada à valorização do envelhecimento saudável, com incentivo à autonomia e à participação social das pessoas idosas.

“Precisamos criar oportunidades para que as pessoas idosas continuem participando da sociedade, façam suas próprias escolhas e tenham mais independência. Isso passa também pela segurança digital. Quando ensinamos a reconhecer tentativas de golpe e a utilizar os recursos do celular, estamos trabalhando na prevenção das violências e fortalecendo a cidadania dessa população”, completa.

A segunda edição da oficina será realizada no dia 27 de outubro, às 14h, em frente à USF Aero Itália, na Rua Rio Galheiros, 280, Jardim Itália, na região do Jardim Aeroporto, em Campo Grande.

Para inscrições e informações, o contato é o telefone (67) 99967-5170.

Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
Foto de capa: Paula Maciulevicius/SEC

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