Governo apoiará alunos superdotados de todo o MS com ampliação de núcleo

  • Educação
  • 18/junho/2017 12:00 pm
  • Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul

Núcleo de Apoio Altas Habilidades e Superdotação da Secretaria de Estado de Educação (SED) será convertido em centro e irá acolher núcleos de atendimento a alunos de todo o interior.

Campo Grande (MS)  - Prestes a ser convertido em Centro, o Núcleo de Apoio Altas Habilidades e Superdotação (NAAH/S), da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED/MS), irá intensificar os trabalhos de apoio a alunos com talentos acima da média em todo o Estado.

O trabalho feito com estudantes da rede estadual que apresentam características de superdotação passará a incluir também os das escolas particulares.

“Estamos só aguardando a publicação que irá permitir que atendamos outros núcleos, do interior do Estado. Como Centro de Apoio a Altas Habilidades teremos uma amplitude maior e poderemos alcançar mais alunos talentosos”, adiantou a Coordenadora de Políticas para a Educação Especial da SED, Adriana Marques Buytendorp.

Ela detalha que todo o trabalho desenvolvido no local está dentro do proposto pelo Ministério da Educação (MEC). Com a ampliação do núcleo para centro, aumentará o número de vagas e Mato Grosso do Sul será um dos estados na vanguarda dos trabalhos de valorização de superdotados.

“Essa transformação para núcleo não representa um investimento dispendioso financeiramente, mas muito significativo em termos estruturais. Os países de primeiro mundo têm muito bem pautadas as políticas de identificação de talentos, porque são pessoas que retornam para a própria sociedade os incentivos que recebem. É um investimento certeiro”, explicou.

Habilidades potencializadas

Alunos recebem atendimento direcionado à sua área de interesse - desde acadêmica a artística.

Atualmente, o NAAH atende 87 alunos com idade entre seis e 18 anos. Todos passaram por um processo de avaliação psicoeducacional feito por equipe treinada para identificar altas habilidades. Os alunos que participam da seleção são encaminhados pelos professores, mas a indicação para os testes também pode partir de amigos e familiares.

Os métodos para identificar talentos acima da média baseiam-se na teoria de que o aluno com altas habilidades deve possuir pelo menos uma das características, com resultados acima dos demais: habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa e criatividade. A avaliação pode levar meses, para que haja confirmação das habilidades excepcionais.

“Existe um pensamento de que o estudante superdotado tem habilidade em tudo. Tem alguns que sim, mas a maioria possui um talento especifico. É muito bom em matemática, muito bom em história e assim por diante”, explica a coordenadora do Núcleo, Graziela Cristina Jara.

Confirmada a superdotação, eles são direcionados ao atendimento especializado no núcleo conforme sua área de interesse, seja ela acadêmica, musical, artística, dentre diversas outras. Entre as aulas, estão as disciplinas de ciências da natureza, física teórica e quântica, matemática, xadrez, arte e criação, desenho, música e atendimento ao ensino fundamental 1.

As aulas são no contraturno da escola - quem estuda de manhã frequenta o núcleo a tarde e vice-versa. Os atendimentos são diários, mas cada aluno participa de duas a três vezes por semana. Nas turmas, os trabalhos são diferenciados. Os alunos participam de feiras de ciências e tecnologia, fazem exposições de arte, acompanham palestras e seminários, tudo voltados à sua área de interesse. Neste ano, o sarau cultura irá recontar a história do Hotel Gaspar, na Avenida Mato Grosso. Os alunos estão fazendo levantamento por meio de acervos para recontar a história de um dos hotéis mais tradicionais da Capital. Também estão preparando duas publicações, sendo uma revista do NAAH/S e um livro com suas experiências.

Está também sendo finalizado termo de cooperação com a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) que permitirá aos superdotados frequentarem os projetos científicos do mestrado e doutorado dos cursos que possuem laboratório – como robótica.

Em funcionamento há dez anos, além do atendimento ao estudante, o núcleo trabalha com apoio aos professores e familiares dos alunos superdotados. Tudo para que ele se sinta acolhido e tenha suas habilidades estimuladas ao máximo.

Jovem cientista

Com altas habilidades identificadas pelo NAAH/S de MS, Luiz Fernando Borges hoje é um jovem cientista premiado nacional e internacionalmente.

Aos 19 anos, Luiz Fernando Borges é um jovem cientista premiado nacional e internacionalmente. Suas altas habilidades foram identificadas pelo NAAH/S de MS após indicação do departamento de assistência social do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), campus de Aquidauana.

Antes disso, ele passou por várias situações desestimulantes na vida escolar. “Sempre estudei em escola pública municipal e os professores achavam que era um problema eu querer fazer mais do que mandavam, até porque a carga horária não permitia e isso acabava causando um desconforto”, contou.

Após a identificação de suas altas habilidades, a situação começou a mudar. Como o Núcleo só atendia na Capital e poucos municípios do interior – realidade que deverá ser mudada com sua conversão em centro – a assistência foi prestada a Luiz Fernando por e-mails e videoconferência.  Com isso, ele conta que passou a se sentir mais amparado.

“Me senti um estranho no ninho a vida inteira, depois descobri que tinha outros estudantes iguais a mim e que não era uma aberração”, lembrou. Desde então, ele vem acumulando prêmios e conquistas no mundo científico, antes mesmo de cursas a faculdade. Mas já escolheu o que deseja fazer: uma dupla graduação em engenharia biomédica e neurociência. Ele inclusive já recebeu convites informais de universidades internacionais e irá se candidatar às vagas.

De família humilde, o jovem que já visitou cinco países do exterior embarca no mês que vem para Israel, onde conseguiu uma bolsa da comunidade judaica de São Paulo para um instituto de pesquisa. Nos planos, continuar desenvolvendo o trabalho em neurociência e levar adiante o projeto pelo qual pacientes em coma possam se comunicar com familiares e médicos.

Com desempenho e resultados acima da média, o jovem cientista deixa um recado aos estudantes que ainda estão descobrindo seus talentos: “O principal recado que descobri é que se você tem um gosto diferente da maioria, tem vontade de fazer algo que te coloca como estranho, não se intimide. Procure pessoas corretas, como o Núcleo de Altas Habilidades, para te auxiliar. Continue fazendo o que você se destaca porque um dia as pessoas vão se arrepender de não ter te apoiado antes”, aconselhou.

Danúbia Burema - Subsecretaria de Comunicação (Subcom)

Fotos 1 e 2. Arquivo NAAH/S

Foto 3. Renato Octavius - Federação Brasileira de Ciências e Engenharia

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