No Dia do Trabalhador, histórias que unem dedicação, propósito e transformação ganham ainda mais significado. A da pedagoga Ana Lucia de Souza é uma delas.
Servidora há mais de duas décadas, ela construiu sua trajetória inteiramente dentro da administração pública estadual. Desde 2003 no quadro da Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos), Ana Lucia soma 23 anos de serviço, sendo os últimos oito dedicados à Secretaria Executiva de Direitos Humanos. Agora, alcança um novo marco: a conclusão do mestrado em Desenvolvimento Local, com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.
A conquista, no entanto, não foi apenas acadêmica foi também pessoal.
“Era um sonho antigo. Quando surgiu a oportunidade, foi uma surpresa. Eu queria muito, mas não imaginava que aconteceria naquele momento”, conta.
A vaga veio por meio de uma parceria entre a Fundação Escola de Governo de Mato Grosso do Sul e a Universidade Católica Dom Bosco, que ofertou oportunidades a servidores efetivos do Estado.
Do desafio cotidiano à pesquisa científica
A escolha do tema do mestrado nasceu da prática. No dia a dia de trabalho, Ana percebia uma dificuldade recorrente: a falta de dados consolidados sobre migração internacional em Mato Grosso do Sul.
“As informações são muito fragmentadas. Um pouco está na saúde, outro na educação, outro em cadastros específicos. Isso dificulta tanto o atendimento quanto o planejamento de políticas públicas”, explica.
A partir dessa realidade, ela desenvolveu uma pesquisa que propõe a criação de um observatório estadual de migrações internacionais como uma ferramenta capaz de reunir, organizar e disponibilizar dados confiáveis para o poder público e a sociedade.
A proposta ganha ainda mais relevância diante do avanço da Rota Bioceânica, que deve intensificar o fluxo migratório e gerar novos desafios sociais, econômicos e culturais para os municípios sul-mato-grossenses.
“Sem dados, não há planejamento. E sem planejamento, os impactos recaem diretamente sobre a população”, afirma.
Trabalho, estudo e família
Conciliar a rotina profissional com o mestrado não foi simples. Foram dois anos de dedicação intensa, divididos entre trabalho, estudos e a vida em família.
Casada há 18 anos e mãe de Amanda, de 7, Ana encontrou na própria filha uma fonte de motivação e também de inspiração.
“Ela participava das minhas aulas online, aparecia na câmera, conversava com os professores. Foi um processo que envolveu toda a família”, relembra.
O apoio institucional também foi decisivo. A liberação para as atividades acadêmicas e o incentivo da equipe ajudaram a tornar possível o que parecia distante.
“Esse reconhecimento faz diferença. Motiva, fortalece e mostra que o servidor também pode crescer.”
Mais do que um título, o mestrado representa, para Ana, uma nova etapa. Seu objetivo agora, revela a servidora, é tirar do papel a proposta do observatório e contribuir diretamente para a melhoria das políticas públicas no Estado.
Ela também faz questão de destacar o papel do conhecimento como ferramenta de transformação especialmente para outras mulheres servidoras.
“Muitas vezes a gente se coloca em segundo plano. Mas é importante buscar o que queremos. O estudo abre portas, amplia a visão e nos prepara para novas oportunidades.”, finaliza.
Ana disponibilizou sua dissertação para leitura pública. Clique aqui e confira.
Leomar Alves Rosa, Comunicação Sead
Fotos: Monique Alves
